Sábado, 30 de Janeiro de 2010
 
O segundo produto mais procurado no iTunes italiano é uma compilação dos discursos de Benito Mussolini. Como seria de esperar, multidões condenam a empresa e o responsável, um jovem de 25 anos com nenhumas pretensões políticas, segundo o próprio, por tal produto encerrar um elogio ao fascismo. Isto é, obviamente, absurdo. Mussolini, quer se goste, quer não, é uma das grandes figuras do século XX e os seus discursos terão, certamente, imenso interesse do ponto de vista histórico e dado o preço irrisório – oitenta cêntimos – parece-me natural que os italianos tenham curiosidade. Se houvesse uma compilação dos discursos de Salazar em Portugal, certamente o fenómeno seria semelhante. Nada disto significa, por si só, uma aceitação explícita ou implícita do conteúdo dos discursos, mas apenas uma curiosidade legítima sobre o que terá levado metade do nosso mundo, metade dos avós de todos nós e, até, alguns de nós, a aceitar e defender as ideias expressas nos discursos. Claro que o Partido Comunista Italiano pede a proibição da venda do produto. O jovem autor, coitado, tenta “redimir-se” do “pecado” de divulgar história anunciando a ideia de, qualquer dia, fazer coisa semelhante para Gandhi e teve, até, de escrever um disclaimer na página onde vende o produto, dados os ataques, insinuações e ofensas. Já não basta que se proíbam ideologias, num esforço patético de controlar os pensamentos através da lei, também há quem queira apagar a história ou, pelo menos, proibir a sua divulgação. Um admirável mundo, este.


# Tiago Moreira Ramalho às 19:28 | | comentar

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Tiago Moreira Ramalho

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