Domingo, 28 de Fevereiro de 2010
Há uma regra elementar dentro de um partido: luta-se pela liderança e, no fim do conflito interno, há união de esforços para o conflito externo. Um exemplo bom, por claro e recente, é o de Barack Obama, que convidou todos os seus adversários directos para se juntarem a ele na administração. Encontramos o mesmo método em inúmeras outras situações, de outros partidos, outros países, outros tempos.
Posso estar enganado, mas creio que, independentemente do resultado nas próximas eleições do PSD, o vencedor não terá o estofo necessário para acolher os adversários e o vencido não terá a dignidade de manter uma postura honrosa. E isso faz com que nenhum dos dois candidatos à liderança do PSD seja um sério candidato a Primeiro-Ministro. E isso, meus caros, levará apenas a que a corte socrática, que, atenção, não é o Partido Socialista, se mantenha, talvez com alguma troca de cadeiras, indefinidamente no poder.


# Tiago Moreira Ramalho às 21:54 | | comentar

A mais recente norma tácita da sociedade portuguesa é a de que não podemos, sob circunstância alguma, alertar para as sérias dificuldades do país. Leis semelhantes eram realidades em Moscovo e em Berlim aí por meados do século XX. Havê-las agora é um simples sinal de decadência e, temo, de algo mais.
O argumento é sempre o mesmo: a reacção dos mercados internacionais. Segundo a intelligentsia autóctone, ousar assinalar a tragédia ou fazer qualquer comparação com outros países é um crime de lesa-pátria, próprio dos irresponsáveis e dos derrotistas que não acreditam no desígnio nacional e que, portanto, não merecem o respeito do abençoado povo lusitano.
Primeiro tivemos um comissário, um diabo vestido de Prada, quem sabe, a comparar-nos com a Grécia, como se houvesse comparação possível!, clamavam. A seguir os economistas mais ou menos reputados e, por fim, a líder da oposição. Enfim, tudo gente de vistas curtas sem capacidade de entender a grandeza do Reich, perdão, de Portugal.
Ao contrário do que a corte socrática propagandeia, não é escamoteando o problema que vamos conseguir ultrapassá-lo. Aliás, a corte socrática parece querer passar um atestado de estupidez aos investidores internacionais ao afirmar que se nos mantivermos caladinhos eles não notam a desgraça. Claro que toda esta ladainha serve para que, pelo menos, não haja uma responsabilização, apesar de a responsabilidade ser evidente. Mas deixemos isso de parte, porque, enfim, tal como atesta a estupidez dos investidores internacionais, José Sócrates também ambiciona atestar a estupidez da populaça que o elegeu. E disso somos nós, enquanto colectivo, os culpados.
Só no dia em que houver uma confrontação do país com os problemas sérios, muito sérios, que atravessamos é que poderemos ter alguma saída. Preclaro leitor, um défice de 9% é um recorde histórico. Disto, só na primeira República, quando andávamos numa guerra mundial e tínhamos um regime instável decorrente de um golpe militar. Desde aí, nunca mais se viu. Entenda-me, leitor: a situação financeira do país é algo com que não lidamos há quase cem anos e é algo com que não deveríamos ter de lidar agora, independentemente da crise.
Não é, preclaríssimo leitor, com silêncios e sombras que vamos conseguir sair do buraco, iludindo os americanos, os ingleses ou os alemães. É com uma séria confrontação do problema. Com a noção de que de duas uma: ou abdicamos de alguma qualidade de vida agora, ou abdicamos de muita qualidade de vida daqui por algum tempo. Por muito que nos queiram entupir com os discursos de punho erguido, uma coisa é certa: com conversa e ilusão, não resolveremos a falência do país.

 

Publicado originalmente no Expresso Online.



# Tiago Moreira Ramalho às 17:52 | | comentar

«There are no frontier posts on the Left of politics, no pale to go beyond. You can move further and further away from the centre, move so far, in fact, that you turn the circle and join the fascists and it still doesn't matter. Whatever you do, your "leftist" credentials will protect you from criticism.»

 

Aqui.



# Tiago Moreira Ramalho às 10:24 | | comentar

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

O Insurgente faz cinco anos. É bom quando os bons blogues perduram.



# Tiago Moreira Ramalho às 15:43 | | comentar

É realmente um desperdício ter um tipo destes a escrever o que escreve em blogues. Peguem-lhe, peguem-lhe.



# Tiago Moreira Ramalho às 13:15 | | comentar

Já sabemos que caso ganhe as eleições directas, Paulo Rangel deixará o cargo de Eurodeputado. Independentemente dos juízos, isto é o que sabemos. O que nos falta saber é se, caso ganhe as eleições directas, Pedro Passos Coelho deixará o cargo de Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real. Teria alguém a amabilidade de lhe perguntar?



# Tiago Moreira Ramalho às 11:15 | | comentar

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

O que fazia de Cavaco Silva um candidato interessante à Presidência da República não era, meus caros, o seu pensamento. O pensamento político de um Presidente da República, no actual quadro constitucional, interessa-me pouco. As guerras ideológicas, a haver, tomarão lugar no Parlamento e numa guerra puramente ideológica entre Presidente e governo, o governo sai sempre por cima. O que me interessava em Cavaco Silva, pelo menos numa fase inicial, era aquilo que eu julgava ser um profundo respeito pela instituição que ocupava e para a qual se queria recandidatar. Reserva e prudência, sem usar e abusar dos meios de comunicação para enfrentar o governo, agradava-me o facto de não utilizar o posto para se promover ou para promover outros. Isso, infelizmente, mudou a seguir ao Estatuto dos Açores. Mudou irremediavelmente. Neste momento, não temos um Presidente da República, mas sim um mero candidatozeco a um lugar que precisa de muito mais do que isso. Cavaco Silva deixou de ser o meu Presidente da República quando colocou a sua estratégia acima dos deveres do seu cargo. Deixou de ser o meu Presidente quando, a fim de obter uma reeleição, preferiu a cobardia de não demitir um governo que em qualquer sociedade que se auto-proclamasse civilizada já teria caído. Por isso, meus caros, é-me indiferente quem ocupará Belém nas próximas eleições. O que diferenciava Cavaco já não existe.

O meu candidato continua a ser o de antes. Nesse votaria sem hesitar. Assim, nem sei se voto.


# Tiago Moreira Ramalho às 16:17 | | comentar

«Se Portugal não tivesse relações comerciais com outros países, em vez de aplicar uma grande parte do seu capital e trabalho na produção de vinho, com o qual compra aos outros países os tecidos e os metais de que necessita, seria obrigado a aplicar uma parte desse capital na produção desses bens, os quais seriam provavelmente de qualidade inferior e em menor quantidade do que os que obtém no estrangeiro.

A quantidade de vinho que Portugal tem de dar em troca dos tecidos ingleses não é determinada pelas respectivas quantidades de trabalho aplicadas na produção de cada um dos produtos como sucederia se ambos fossem produzidos em Inglaterra ou em Portugal.
A Inglaterra pode encontrar-se em tais circunstâncias que para produzir os tecidos necessita do trabalho de 100 homens durante um ano e se tentasse produzir o vinho poderia precisar do trabalho de 120 homens durante o mesmo período. Portanto, a Inglaterra teria interesse em importar vinho e em comprá-lo com a exportação dos tecidos.
Em Portugal a produção de vinho poderia só necessitar do trabalho de 80 homens durante um ano e a produção dos tecidos exigiria o trabalho de 90 homens durante o mesmo período. Teria portanto vantagem em exportar o vinho em troca dos tecidos. Esta troca poderia mesmo verificar-se apesar de a mercadoria importada por Portugal poder ser produzida neste país com menos trabalho do que em Inglaterra. Embora Portugal pudesse fabricar os seus tecidos só com 90 homens, importá-los-ia de um país onde são necessários 100 homens para os produzir porque teria mais cantagem em empregar o seu capital na produção de vinho, em troca do qual obteria da Inglaterra uma maior quantidade de tecidos do que a que poderia produzir desviando uma parte do seu capital utilizado na cultura da vinha para fabricação de tecidos.»
 
David Ricardo, Princípios de Economia Política e de Tributação, Capítulo VII: Sobre o Comércio Externo (em 1817)


# Tiago Moreira Ramalho às 15:47 | | comentar

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

A ideia de Paulo Rangel não é, de todo, nova. É uma ideia que é defendida há muito por forças como o PCP ou o CDS. Aliás, a soberania alimentar é como que um sonho luso, de todos aqueles que olham para agricultura e, passando o indicador pelo canto do olho, enxugando, reclamam da obrigação de comer maçãs de Espanha, de onde, lembremo-nos, nem bom vento, nem bom vento nem bom casamento.

A questão é que a ideia é tola. Completamente tola. Vem em todos os manuais de teoria do valor que é um disparate que um país insista constantemente em produzir em áreas para as quais não está especialmente capacitado (é até algo «ofensivo» que um português se meta com estas conversas quando a tese que desmonta esta argumentação foi apresentada usando, para exemplificação, Portugal). Não ponho em causa que as maçãs portuguesas são muito boas (nunca distingo, palavra), mas uma economia como a nossa não pode ser artificialmente conduzida para uma produção de baixo valor acrescentado, uma produção que está naturalmente destinada aos países mais pobres que, por força das circunstâncias, não podem produzir carros ou telemóveis.
Além disso, por muitos subsídios que sejam dados, atingir o patamar de soberania alimentar, uma expressão curiosa, é extremamente complexo, para não dizer impossível. Só haveria soberania alimentar se (i) destinássemos largas, larguíssimas fatias do Orçamento de Estado para apoios aos agricultores ou (ii) se fizéssemos deslocações não voluntárias de pessoas. Ora, parece-me que nenhuma das duas possibilidades é muito recomendável – mas, claro, podeis sempre tentar (diz que a segunda ainda resultou durante umas décadas lá para aqueles lados).
Sugeriria a quem trata da campanha de Paulo Rangel que o demovesse deste tipo de nacionalismo tardio. As «soberanias» na economia nunca são muito saudáveis. Mesmo quando dizem respeito a frutas e vegetais.


# Tiago Moreira Ramalho às 19:47 | | comentar

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Eu não sei se o leitor reparou, mas hoje não existi. Pelo menos até agora – lindas horas! –, o que, na prática, se traduz no dia vinte e quatro, hoje. Parece que houve umas escutas que revelam umas coisas de alguém. Tentei comentar, mas depois percebi que não havia nada para comentar (quase que, riamos, comparam os conteúdos das escutas até agora divulgadas ao destas). Entretanto está ali um blogue.



# Tiago Moreira Ramalho às 22:17 | | comentar

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

O Rui Rio não é parvo nenhum. É que, meus caros, estando nós tão longe de 2013, e sem perspectivas de queda do governo, mais vale apoiar quem se pode facilmente remover. Não percamos as cenas dos próximos episódios.



# Tiago Moreira Ramalho às 18:27 | | comentar



# Tiago Moreira Ramalho às 17:47 | | comentar

«But one of the great advantages of democracy is that it does not depend for its legitimacy on continuing high levels of economic growth, as the Chinese system does»

 

Esta frase, constante no ensaio que Francis Fukuyama publicou na Spectator (via Luís Naves) deveria ser o ponto de partida para qualquer discussão sobre a estranha vaga de endurecimento das democracias por esse mundo fora ou sobre qualquer regime que, sendo autoritário, é bem aceite pela população. A verdade, meus caros, é que ao contrário dos regimes democratas e liberais, os regimes autoritários necessitam de constante legitimação, por não a deterem intrinsecamente. Os Jogos Olímpicos de Pequim são exemplo disto, tal como o eram os carros alemães. Podemos tentar procurar fontes de legitimação para a China, podemos tentar acreditar que o regime é bem aceite pelo povo, mas a verdade é que quando a bolha rebentar e a riqueza parar de crescer, apenas a liberdade restará. E os povos costumam ser tolos o bastante para trocar a liberdade pelo pão, mas raramente são tolos ao ponto de se permitirem viver sem uma coisa nem outra.


# Tiago Moreira Ramalho às 15:48 | | comentar

No seguimento deste post, um dos promotores da Plataforma Cidadania e Casamento enviou-me um e-mail, um educado e-mail, há que notar, chamando-me a atenção para o facto de nem todos os que estavam na manifestação serem homofóbicos ou se reverem em alguns dos cartazes utilizados. É para mim óbvio que pessoas como o João Távora ou o Paulo Marcelo, que conheço, por exemplo, não têm preconceitos contra a homossexualidade. Acredito que o que os move contra o casamento homossexual sejam argumentos que lhes parecem plausíveis e sólidos, apesar de apoiarem uma plataforma de cidadãos que trata a questão da homossexualidade com uma confrangedora e mais que manifesta ignorância. E acredito, até, que se tenham sentido incomodados com a companhia que levavam. E isso leva-me ao ponto essencial deste post: eu não escrevi que todos quantos ali estavam apoiavam a presença de crianças com t-shirts de ódio, a presença de forças extremistas ou a utilização de cartazes daqueles. O que eu escrevi foi que, uma boa parte («em grande medida») dos que ali estavam apenas queriam passar a sua mensagem de ódio profundo relativamente àqueles que são, simplesmente, diferentes. Só e apenas isso.


# Tiago Moreira Ramalho às 15:30 | | comentar

Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

José Sócrates acabou de dizer, na SIC-Notícias, algo como «dizeria». Será que aqueles que gozaram com o «façarei» de Cavaco Silva também o vão fazer agora?



# Tiago Moreira Ramalho às 22:20 | | comentar

A Fernanda Câncio, que, meus caros, existe, dado já ter jantado com uma série de pessoas, supõe-se, é do caraças. Mas é mesmo. Dona daquele jeito, como dizer, característico, não deixa ninguém sem opinião (o que, dizem, é uma virtude). Ora, eu tenho cá as minhas opiniões sobre a Fernanda Câncio (a propósito, está boa Fernanda Câncio? Não sei se sabe, mas o meu Word não aceita o seu nome, numa clara demonstração de atavismo e assim – só um reaccionário é que pode não aceitar que o nome Câncio existe, não é verdade?). Tenho as minhas opiniões, sim, mas não as divulgo, porque, minhas senhoras, sou um gentleman e assim.

Independentemente das minhas opiniões sobre a Fernanda Câncio (nunca mais a vi na televisão, o que mostra o quão aborrecida anda a pátria, sem fracturas «cancionáveis», pelo menos dado os presentes actores, digamos assim), dedico-lhe posts sem fim porque, enfim, o espécimen é raro e digno de análise aprofundada e um tanto ou quanto jocosa – o quanto baste, para não aborrecer.
Diz a Fernanda Câncio, na sua versão in, isto é, na sua versão f., que é interessante cotejar, palavra, que, confesso, desconhecia por completo e, meus amigos, continuo a desconhecer, este meu texto quando o mesmo autor, eu, que sou autor de textos e quase-textos, também escrevi este. Agora é que a Fernanda Câncio me apanhou a desonestidade intelectual, que andava tão bem escondida do mundo. Fiquei extremamente envergonhado, porque, verdade se diga, se fosse um tipo qualquer a dar-me o raspanete, eu movia on e nem ligava, mas a verdade é que se trata de Fernanda Câncio e, preclaríssimos leitores que eventualmente persistam no crime de não a conhecer, a Fernanda Câncio é um exemplo para qualquer alma do que é ser, em primeiramente, coerente e, em segundamente, intelectualmente honesto. Claro que também é um exemplo noutras áreas, muitas, nomeadamente na área da escrita exclusivamente com minúsculas (a propósito, estamos bem, não estamos, Fernanda Câncio? É que não me habituo às minúsculas. Coisa de gentinha desonesta, quem sabe) e também aquela que diz respeito ao trato, digamos, educado. Passemos tudo isto, que o espécimen (ó Fernanda Câncio, não me leve a mal chamar-lhe espécimen – não é ofensivo, apenas descritivo) ainda há-de ser alvo de tese minha (a ciência ainda tenho de a escolher, pois todas as perspectivas são válidas), mas agora tenho de lhe explicar coisas, vamos ao assunto.
O meu texto do Corta-fitas, Fernanda Câncio, dizia, e bem, que eu concordo muito comigo mesmo, que a posição que a Fernanda Câncio apresentava no seu texto era, e cito-me, impressionante. Impressionante porque a Fernanda Câncio dizia «daquela gente», nos seus termos, que eram todos iguais na nojeira. Ora, no meu segundo texto, muito bonito, cheio de imagens e até com uma referência bíblica, que eu sou um tipo que se interessa por matérias dessas e assim, eu não digo que são todos iguais. Digo, até e inclusivamente, que há bons argumentos contra o casamento homossexual e que, calma que agora temos de estar atentos ó Fernanda, «Mas a verdade é (…) que a manifestação não era só contra o casamento homossexual. Em grande medida, os que ali estavam manifestavam-se contra uma «perversão» a que a «liberdade», a deles, não dá direito.» Eu sei que agora a coisa se torna difícil, principalmente porque o João Galamba (obrigado, João) não citou a primeira frase. No entanto, vou tentar explicar-lhe, ó Fernanda Câncio, o que está escrito no meu texto. Ora vamos lá: eu digo que a manifestação não era só contra o casamento homossexual, porquê?, porque em grande medida, repitamos em coro Fernanda Câncio, em grande medida, os que ali estavam queriam era malhar nos senhores e nas senhoras que, enfim, tiveram a sorte ou o azar de ser diferentes. A expressão «em grande medida», em termos de quantificação, situa-se algures, Fernanda Câncio, entre o «alguns» e a «totalidade». Gosta de passear-se ali no meio por, precisamente, não significar nem uma coisa nem outra. Ambos os dois (sim, ambos os dois, que eu leio livros e anúncios de jornais) sabemos perfeitamente que nem todos os que ali estavam eram homofóbicos – há pessoas que, não sendo homofóbicas, apresentam interessantes argumentos contra o casamento civil para pessoas do mesmo sexo. No entanto, não sendo nós parvos (ó Fernanda Câncio, acredite-me, nós os dois não somos parvos nenhuns), chegamos facilmente à conclusão que uma boa parte dos que ali estavam, cheios de cartazes horripilantes e assim, o que queriam era uma solução final para aquilo que, nas suas interessantes mentes, é a «paneleiragem» do nosso bem-amado Portugal, que Deus abençoe.
Mantenho o que escrevi no meu primeiro texto, do Corta-fitas? Mantenho sim senhora, porque só sou gajo para voltar atrás quando a estrada está fechada. Eu não sou beato nem misógino (esta aprendi consigo, ó Fernanda Câncio – mais uma para contar aos netos) e sou contra a legalização do aborto. Porque tenho, eu sei que isto é difícil de acreditar, argumentos e uma base filosófica para manter tal posição. Do mesmo modo que, nesta altura, tenho argumentos e uma base filosófica para defender o casamento para pessoas do mesmo sexo. Eu sei que este parágrafo foi difícil de digerir, ó Fernanda Câncio, que qualquer pessoa que já tenha jantado com outra pessoa tem sérias dúvidas em acreditar que eu tenho bases filosóficas para o que quer que seja, por isso, vou deixá-la reflectir sobre o assunto.
Já que já reflectiu, que um parágrafo dá mais que tempo, aproveito para a deixar com as ideias (seguramente acertadas) a que chegou e despeço-me com um grande aceno de mão, à provinciano, que é o que sou, apesar do cosmopolitismo óbvio. Um beijinho não lhe mando, que m’avergonho e tenho medo de a espantar. Às vezes, podia acontecer.


# Tiago Moreira Ramalho às 21:48 | | comentar

Nas próximas presidenciais, Portugal terá o que merece: vai ter de escolher entre um cobarde tacticista, um bardo retrógrado e um candidato a não presidente. Muito bem-feito, queridos compatriotas.



# Tiago Moreira Ramalho às 16:19 | | comentar

"Podem querer novo líder, mas têm azar. O líder sou eu"

 

José Sócrates



# Tiago Moreira Ramalho às 16:01 | | comentar

Domingo, 21 de Fevereiro de 2010
Hoje de manhã ouvi uma deputada do partido comunista português a dizer, na televisão, num programa de jovens, que defendia que o Estado fornecesse todos os cuidados de saúde que as pessoas eventualmente requisitassem. E, mais, defendeu que o problema dos congestionamentos do serviço nacional de saúde apenas se coloca devido ao facto de haver falta de meios. Segundo a deputada jovem, devia haver meios, meios infinitos, para a saúde. Eu também gostava, senhora deputada. Gostava que houvesse meios infinitos para tudo. Assim eu nem precisava de estudar Economia e podia, sei lá, ir para um partido como a senhora deputada ou, em alternativa, ia-me para a Filosofia, a ver no que dava. Como, infelizmente, os meios não são infinitos, a malta estuda (talvez um bocadinho mais que a senhora deputada) a forma como os meios, finitos, podem resolver da melhor forma as necessidades, infinitas. Quando oiço barbaridades tamanhas saídas daquelas bocarras, quase me dá vontade de pedir pelo amor do Altíssimo que se tornem obrigatórias aulas de introdução à Economia logo no quinto ano, para a malta deixar de sonhar com unicórnios sociais.


# Tiago Moreira Ramalho às 22:17 | | comentar

Hoje visitei aquilo que em tempos foi a casa dos meus avós. Do outro lado da rua, ainda lá estava o cimento por onde o Ford Fiesta passava para entrar na «barraca», feita pelos braços do meu avô, desfeita pelas máquinas de outro qualquer. Fiquei com uma desconsolada vontade de escrever um poema, um poema lindo, forte, mas depois lembrei-me e guardei a vontade para um outro dia, caso esse dia venha a existir.



# Tiago Moreira Ramalho às 18:30 | | comentar

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Tiago Moreira Ramalho

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