Sábado, 27 de Março de 2010

Um ataque, sabe o meu deus pagão de quê, deu nisto. Agora estou lá.



# Tiago Moreira Ramalho às 12:41 | | comentar

Terça-feira, 23 de Março de 2010

Eu tenho para mim que, a bem da igualdade, deveríamos, à Marquês, pegar em todo e qualquer indivíduo que ousasse auferir mais que, let's say, oitocentos euros (montante que julgo estar acima do salário médio), botá-los num barquinho com buraquinhos pequeninos e, boa sorte, enviá-los para o mar. Infelizmente, parece que há para aí uns tribunais internacionais, lá para os lados de não sei onde, que eram capazes de ficar arreliados com tal solução final - gente sem visão que não entende a beleza do chacínio de burgueses e aristocratas. Como tal, podemos sempre tratá-los, enquanto soltamos uma sonora gargalhada sinistra, como podemos. Agora decidimos alterar, génios, as regras das deduções fiscais e impedir os magnatas de recuperar imposto que à partida não deveriam pagar.
O João Galamba defende a coisa. Até argumenta e tudo. Claro que eu, especialista, que sou, que sou, em argumentos e assim, topei logo a falha. Diz o João Galamba que ouviu do Ministro, e se o Ministro disse, a gente acredita, ouviu do Ministro, dizia eu, que quem mais aproveita as deduções fiscais são urricos. Bandidagem. Contratam contabilistas de óculo grosso e fato esquisito para dar a volta às Finanças. Nem nos passa pela cabeça que urricos não utilizam serviços públicos de Educação e Saúde e que, logicamente, não devem ser obrigados a pagar tanto como se utilizassem (a malta gosta muito de ajudar, mas, senhores, eu suponho que seja desagradável pagar escola e saúde privados e ainda os públicos). Esquecemo-nos, resumidamente, da causa das elevadas deduções e como pessoas do nosso tempo que somos, apenas discutimos o numerozinho. O João Galamba fala em Justiça Social. Eu falo em injustiça sem sufixo de qualquer espécie. Porque é que um indivíduo que paga um colégio para os filhos à procura de um ensino melhor e paga uma clínica à espera de um tratamento mais rápido e, ouso, melhor para a sua família tem de ser obrigado a pagar um serviço a que não recorre? É justo? O João Galamba acha que sim. Podemos sempre inventar uma teoria da justiça. Assim à filósofo e coiso.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:53 | | comentar

Domingo, 21 de Março de 2010

Os «filósofos» em Portugal são uma espécie digna de Tratados sucessivos, cada um com mais de um montão páginas. É que... porra!



# Tiago Moreira Ramalho às 09:36 | | comentar

Sábado, 20 de Março de 2010

Quando se aprende Economia, entende-se que, na maioria das vezes, o caminho que parece mais óbvio é, de longe, o menos apropriado. E percebemos claramente o problema de termos juristas a votar leis que têm impacto económico.



# Tiago Moreira Ramalho às 20:45 | | comentar

Convidaram-me, loucura, para ir limpar mato hoje. Sinceramente, nem me apercebi muito bem que era hoje, mas disse que não, como parece óbvio. No entanto, acho bonito que a Presidência tenha calçado luvas de borracha e que o Comité Nacional se tenha dividido entre propaganda frouxa, própria dos regimes como o nosso, e a limpeza da esterqueira. Não condeno. Apenas desfruto. Faz lembrar o dia que o povo ofereceu ao país a pedido de Vasco Gonçalves, dia de que me lembro apenas por transferência de imagens. Muito à nossa medida, a actividade. Assenta-nos como a luva da Presidência. Tal e qual.



# Tiago Moreira Ramalho às 19:50 | | comentar

Terça-feira, 16 de Março de 2010

Ficámos todos muito mais descansados. Afinal, o Leandro teve um acidente - não se matou. Isto, claro, faz com que toda a extraordinária tese de João Miranda - especialista no assunto - de que isso do bullying é conversa, que os miúdos têm é de aprender a dar melhores direitas e que, enfim, somos todos uns esquerdalhos cheios de vontade de meter mais uns quantos psicólogos na administração pública esteja certa. Podemos agora ler os livros, ver os filmes, que o Leandro, pelos vistos, não se matou e, como é óbvio, se os outros todos, milhares de adolescentes, se mataram, é porque eram fracos e até foi melhor assim.



# Tiago Moreira Ramalho às 19:40 | | comentar

O PEC foi apresentado ontem ao Parlamento. É um documento com mais de cem páginas e sem grande interesse literário, pelo que, de duas uma: ou os comentadores profissionais do nosso Portugal não fazem nada além de ler documentos desta dimensão, ou então estão apenas a passar pelo ridículo de avaliar o que desconhecem. Pouco me importa que digam bem ou mal, mas, por favor, leiam antes de escrever idiotices. Não sejam aborrecidos.



# Tiago Moreira Ramalho às 19:00 | | comentar

Segunda-feira, 15 de Março de 2010

O Partido Social Democrata fez uma campanha baseada no valor da liberdade. Muito me agradou, a tónica. Palavra. Sentia-se, sente-se, o mau clima no que respeita à liberdade de expressão e de informação. No entanto, toda a campanha foi uma tremenda escarradela para o ar que ontem caiu na portentosa testa social-democrata. Uma lei estatutária que cria uma espécie de «delito de opinião» interno nos sessenta dias que antecedem uma eleição faria corar alguns partidos menos recomendáveis. E, claro, fez o Partido Socialista encher o peito e vir acusar a profunda contradição.
Felizmente, os candidatos vieram rapidamente demarcar-se da nova lei. Supõe-se que vá durar pouco. Mas, meus caros, o simples facto de ter sido proposta, votada e, escândalo, aprovada é já revelador do espírito deste PSD. Não é com leis destas que se ganha o partido ou o país. Não foi com leis destas que os grandes líderes uniram os grandes partidos. E enquanto o PSD não entender que aquilo que tem de fazer é deixar-se de «jotices» tolas e começar a trabalhar num projecto sério, com forte sustentação ideológica e com uma mensagem verdadeiramente inspiradora, bem pode inventar leis, promover congressos, meter João Jardim a fazer o pino com nariz de palhaço, que nada mudará. Nada.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:28 | | comentar

O congresso deste fim-de-semana, que ainda estou a digerir, mostrou o franco estado de decadência em que se encontra o Partido Social Democrata. E digo isto atendendo ao peso de cada palavra e tendo em consideração o facto de ter participado na campanha deste partido nas últimas legislativas.
Resumidamente, foi um desfile de mortos vivos, que na sua morte pouco morta conseguiram apagar por completo a juventude que se tenta mostrar, que tenta existir. É assustador pensar que um partido de poder joga permanentemente com a sua equipa B, deixando, por consideração à inveja, essa senhora, os verdadeiros valores de fora. São opções. Deles e nossas, depois.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:27 | | comentar

Sexta-feira, 12 de Março de 2010

 

Obrigadinho à dona Olga.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:26 | | comentar

 
Já Tocqueville, há quase dois séculos, dizia, ao olhar para a primeira Democracia moderna, que o povo tem tendência a escolher a escumalha para o representar e liderar. Não se enganou, não.


# Tiago Moreira Ramalho às 16:13 | | comentar

Num jornal diário português li uma manchete que, mais coisa, menos coisa, dizia assim: «Jaime Gama vai decidir se paga viagens a Inês de Medeiros». O primeiro impulso foi comprar uma revistinha qualquer e ver se havia molho amoroso das mais altas esferas do poder, mas depois regressei a mim e entendi que o jornal, pobrezinho, pensa apenas que o dinheiro com que as viagens de Inês de Medeiros iriam ser pagas é de Jaime Gama. Provavelmente os visados também pensam isso, pelo que ainda se dão ao luxo de sequer «ponderar» a questão. Mas, perdoe-se-me desmanchar os prazeres de toda esta gente, a verdade é que estão um pedacinho enganados. O dinheiro, meus caros, não é de Jaime Gama, nem do PS, como dizia a outra. O dinheiro é nosso, dos contribuintes, que não têm de financiar os caprichos dos partidos. O PS decidiu meter uma senhora que vive em Paris nas listas por Lisboa? Pois muito bem, que pague o PS as viagens, ou que as pague a própria. O que não pode acontecer é que os contribuintes, para além de fecharem os olhos aos pára-quedismos, ainda tenham de os financiar. Eu acho muito bem que Inês de Medeiros queira ir ver os trabalhos de casa da filha, acho, mas que não se atropele a lei apenas porque Inês de Medeiros não se lembrou disso antes.


# Tiago Moreira Ramalho às 15:56 | | comentar

Quinta-feira, 11 de Março de 2010
Perdão. O título é despropositado. Começar logo a ofender toda a gente é coisa pouco aconselhável para quem quer manter um tom elevado, sério e pouco conflituoso. Eu sou uma dessas pessoas, pelo que me retracto, palavra que, e isto é dedicado aos nossos amorosos jornalistas que, devido a factos da vida, foram parar a redacções de jornais saberá o Divino, com as suas linhas tortas, porquê; palavra que, dizia eu, leva um «c» antes do «t». E podem vir lá com os Acordos Ortográficos que quiserem, que eu também gosto muito de fazer os outros burros. Glup. Já me acalmei. Enervei-me um pedacinho com a matéria linguística em causa. Voltando àquilo que me fez publicar este post, o que eu quero realmente dizer é que as pessoas são absurdamente intolerantes relativamente à felicidade alheia. Houve uma senhora a ganhar um Óscar para melhor realizador. Nunca vi nenhum filme da senhora (sou pouco dado a essas merdas), pelo que não sei avaliar a justeza. Claro que alguns, mais que a justeza, apreciaram o facto de a senhora não possuir, por definição, um pénis no entre-pernas. São opções. Uns desprezam o prémio, outros acham que sim senhor, que o filme era bom, outros estarrecem-se com a vagina de Kathryn Bigelow. Isto, por mais irracional que possa ser, não tem problema nenhum. Do mesmo modo que eu ficaria maravilhado caso o meu país decidisse, de uma vez por todas, que não é função do Parlamento decidir sobre o financiamento que o país tem de dar aos partidos que compõem o Parlamento, admito que haja outros que vejam nestes pequenos actos grandes mudanças. E do mesmo modo que não aprecio especialmente quando outros menosprezam estas minhas ambições ou posteriores alegrias, também concebo que os senhores que se estarrecem com a vagina de Bigelow não apreciem que eu diga que eles são idiotas à conta de tal estarrecimento (estou a tentar esticar esta palavra ao máximo, a ver quando é que o Word a risca por baixo). Não sei o que motiva as contendas estúpidas que por aí se vêem. Se a falta de actividade sucedânea, se a falta de tempo para pensar duas vezes no disparate. De qualquer modo, seríamos todos muito mais felizes se não tivéssemos gente a atazanar-nos o juízo de cada vez que sorrimos por qualquer motivo. Lá fora chamam-lhe tolerância e, inclusivamente, já lhe dedicaram tratados, ensaios e coisas dessas. Por cá, ainda só fomos capazes de assimilar o termo, o que, já de si, nesta terra, não é despiciendo. Só nos falta mais um bocadinho. Assim, ó.


# Tiago Moreira Ramalho às 22:03 | | comentar

 

A tua sorte, homem, é que nunca hás-de morrer.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:16 | | comentar

«Of course it might be the case that democracy requires the existence of some political parties. But why these political parties? Political parties are human institutions, and like all human institutions they evolve and die - to be replaced by other institutions. If the Labour Party, or the Conservative Party, is unable to finance itself without reaching unbidden into my pay packet then tough. Why should I be required to pay for the continued existence of an institution whose politics and values I do not share (I already do that once with the BBC)?»

 

Excerto de um artigo publicado no Talking Philosophy, por Andy Walsh. Ide ler o resto, ide.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:12 | | comentar

Quarta-feira, 10 de Março de 2010

 



# Tiago Moreira Ramalho às 22:33 | | comentar

Terça-feira, 9 de Março de 2010

Senador anti-homossexual confessa: “sou gay”.



# Tiago Moreira Ramalho às 19:51 | | comentar

 

Mas não há-de ser nada, não se apoquentem.



# Tiago Moreira Ramalho às 19:37 | | comentar

Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Tenho andado longe do mundo, que é como quem diz, de forma pomposa, tristemente pomposa: tenho tido mais que fazer. Mas tanto, que o leitor não imagina. No entanto, sorri hoje quando soube que, finalmente, o governo percebeu que a aparência não resiste à essência. Fiquei também muito feliz por se ir praticar no governo algo que andei a defender durante umas semanas, sob o pretexto de umas eleições que se me afiguram cada vez mais inúteis. Enfim, respiremos de alívio, que, parece-me, quem nos comanda os destinos já largou as substâncias.


# Tiago Moreira Ramalho às 22:20 | | comentar

João Maria, um dia que tenhas um filho e que ele leve porrada e seja maltratado psicologicamente apenas porque sim, porque outros, maiores, mais velhos, com mais amigos se querem divertir, poderemos falar de dramas. Nunca gosto do discurso de pathos, mas nesta matéria, este é o único discurso possível. Ajudar estes miúdos não é fazer deles florzinhas de estufa, é apenas permitir que não tenham uma vida miserável, pautada por problemas de relacionamento apenas porque um bando de cabrões se quis divertir à conta deles. Dancemos todos, meio alcoolizados, ao som da música que o João Miranda e outros, como ele, cantam, e um dia chegaremos ao estádio em que temos miúdos a pegar numa arma e, antes de se matarem a eles próprios, matam os outros porque simplesmente não aguentam mais. Um miúdo de doze anos matou-se porque não aguentava mais. Preferia uma florzinha de estufa, perdoa a idelicadeza.



# Tiago Moreira Ramalho às 22:06 | | comentar

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Tiago Moreira Ramalho

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