Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
Tal como planeado hoje estive lá, na manifestação. Por ter estado e por ter apoiado desde o primeiro momento, não quer dizer, no entanto, que apenas faça louvores ao que aconteceu.
Em primeiro lugar, uma palavra para Maria Filomena Mónica, Rui Ramos, Maria João Avillez e toda essa restante ‘elite’ que assinou a petição, mas que, saberá alguém porquê, acharam por bem não estar presentes no ajuntamento. É também disto que Portugal sofre: da mediocridade das elites que querem os benefícios do estatuto, mas que se escusam a passar pelas arreliações. Infelizmente, não arranjamos melhor. Além disso, também foi interessante ver que ‘promotores’ da petição, na hora da verdade, não tivessem levantado o rabo do sofá.
Depois, achei francamente infeliz a tentativa fútil de, por exemplo, o senhor Manuel Falcão tentar existir por uns minutos, dando entrevistas a tudo quanto era órgão de comunicação social, num claro aproveitamento – que acaba a dar razão às vozes que se opunham ou que pelo menos não apoiavam a manifestação. Mas também é isto, o nosso país: qualquer situação serve para tentar existir, mesmo que isso seja à partida impossível. Esta manifestação foi um movimento independente, sem quaisquer freios partidários e havia muito mais gente com muito mais interesse para entrevistar – Pedro Lomba, Eduardo Cintra Torres ou Henrique Raposo, comentadores habituais que, afinal, sabem bem porque estavam ali.
No fim, fica a minha declaração de desistência quanto à demanda por um ‘bom’ PS. O Partido Socialista foi o único que recusou receber o manifesto, num acto que além de indigno da condição de deputado – que representa os cidadãos sem excepção – é demonstrativo de uma cobertura inaceitável dada pelo grupo parlamentar aos possíveis crimes cometidos.
É para qualquer um claro que esta manifestação, só por ter existido, foi um sucesso. Eram poucos? Eram. Mas a verdade é que não tivemos alforrecas a fazer figura de corpo presente, não tivemos jotas, não tivemos, pelo menos da parte dos organizadores, táctica política como é habitual. Éramos um grupo de pessoas sem meios comparáveis aos dos partidos para mobilização (diz que vieram uns quantos do Norte que fizeram sistema de boleias), mas éramos um grupo de pessoas que genuinamente acreditavam naquilo que estavam a fazer ali e que conseguiu, sem saber ainda muito bem como, reunir mais de 9000 assinaturas em volta de um manifesto sobre uma preocupação muito pouco usual na sociedade portuguesa: uma preocupação com as instituições, com as regras e o bom funcionamento da democracia. Obrigado.


# Tiago Moreira Ramalho às 20:44 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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