Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

 

Andávamos para aí há uns meses atrás meio endoidecidos pelas campanhas eleitorais e aconteceu, lá para os lados de Alcântara, numa cantina, dizem, que um senhor, um tal de Hugo Mendes, enquanto eu fazia uma pergunta ao Primeiro-Ministro, também Secretário-Geral do PS e, às vezes, quando dá jeito, cidadão José Sócrates, levantou o rabiosque, juntamente com o cabelo mal amanhado e os óculos sinistros, e chegou-se à beira do homem, não sem antes pedir a autorização a Paulo Querido, que moderava, para lhe segredar uma respostinha ao ouvido. Todos nos chocámos um pedaço, principalmente quando o indivíduo teve a cara de pau de, a seguir, me acusar de falta de ética por ter feito uma pergunta sobre números que o Primeiro-Ministro não conhecia – um sacrilégio, que todos nós temos o dever moral de perguntar ao questionado que assuntos podemos questionar.

Agora, ao que parece, o tal do Hugo Mendes, entretanto promovido a assessor do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro – como as vidas se fazem, minha gente, e eu a estoirar os miolos nos bancos duros do campus de Campolide – gere ali o albergue dos Abrantes. Diz ele que o tal Miguel existe mesmo, pelo que não temos de duvidar que Eduardo Pitta já esteve à mesa com ele (já agora, também asseguro que o Hugo Mendes existe, que ainda sonhei umas quantas vezes com o óculo de massa preta e com a carapinha). Existe o Abrantes, himself, e os outros Abrantes, que assinam Abrantes, mas não são bem Abrantes. Sobre o Magalhães ninguém disse nada, mas suponho que a lógica seja a mesma.
Pelo meio, parece que tivemos um conjunto imenso de funcionários públicos a utilizarem meios públicos para a campanha eleitoral: sistema informático do governo, horário normal de trabalho, supõe-se, que eles não iam ficar lá por amor à camisola. Já para não falar da forma como os cargos públicos foram utilizados como remuneração acessória, dado que a base já havia nos cargos anteriores. Enfim, o admirável mundo socrático em movimento, com a necessária cobertura dos habituais, para os quais é banal tudo isto, tal como é banal tudo o resto.
Acrescente-se, por fim, que a notícia é de péssima qualidade. Não se transcrevem e-mails. A pessoa que se prestou a ser fonte da notícia pode ser citada, já as evidências ficariam, se necessário, para os tribunais. Além disso, explora pouco a questão, bem ao estilo de jornal de oitenta cêntimos (o que vinte cêntimos não fazem, meus caros, o que vinte cêntimos não fazem).


# Tiago Moreira Ramalho às 17:19 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

twitter
arquivo do blogue

Fevereiro 2013

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

subscrever feeds

 FeedBurner