Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010
Minha alma se espantou, ontem, com o Carnaval da terra. O nome da terra interessa pouco, para não dizer nada. Basta dizer que é uma "terra", com tudo o que isso significa: isolamento, gado, tanto, e atraso bastante. Era ver os farfalhudos buços das senhoras bamboleando-se, imitando-as, ao som dos tambores da banda, contagiadas pela coreografia de um tamborista, tamboritante, tamborente, senhor do tambor particularmente mexido. Os farfalhudos bigodes dos senhores também não estavam propriamente quietos, mas, verdade se diga, de todas as zonas farfalhudas que o homem, deveria ter posto um agá grande, tem não foi a que inicia no nariz e finda no beiço superior a que mais activa esteve - agradeça-se às meninas de traje pouco académico, apesar do frio, que rachava estes ossinhos que, deus queira, terra nenhuma há-de comer. E as crianças? Senhores!... as crianças. Todos com as suas fatiotas e faces rosadinhas, pobrezinhos, tilintando o dente risonho. Era uma festa, tudo, sendo que os protagonistas eram, sobretudo, os carros. Que carros. Pegou o jaquim, assim, com minúscula, por não ser especialmente alguém, como jacques, no tractor da quinta, cheio de lama, lavou-o e meteu umas chapas, uns pladures, umas coisas, e lá se fez um carro alegórico. E a criatividade? Coisas nunca vistas: gozavam com os gays, que cá, lá, aliás, são paneleiros e, mais, não são homens nem são nada, são ratinhos. Lá saberão. Igual para as lésbicas que, pelo menos, não são fufas, mas que, ainda assim, não são mulheres nem são nada, pobres, são ratinhas. Li eu, através dos fundos de garrafa que me venderam enganado, os cartazes, verdadeira propaganda, nas mãos de meninas e meninos, com tais ditados. Depois também os havia com políticos. Regra geral aparecia um trocas-te a casar com um tortas, ou lá como lhes chamam na televisão que é nossa, de todos, dizem. De quando em vez lá aparecia, a um canto, uma senhora de ar azedo e dos outros dois nem notícia, tal é o desprezo e, quem sabe, a insignificância. Pensando bem, grande obsessão tem esta, aquela, aliás, terra pelas questões da identidade sexual, perdão, da paneleirice, assim é que é. Infelizes os que riem, mas que por dentro morrem, com medo da ratice alheia. Infelizes, não levem a mal, é Carnaval.

 

A despropósito, passei no código. Sou o rei das regras de trânsito. Mecânica é que não é bem comigo.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:31 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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