Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

Ninguém me perguntou nada e, sinceramente, obriguei-me a manter a boca fechada sobre este assunto porque, em primeiro lugar, o João Galamba não precisa de advogados (ou, pelo menos, não de um não-advogado como eu) e, em segundo lugar, porque adivinhava já um e-mail ou outro a acusar-me de coisas que nem vale a pena dizer. Primeiro ponto: não conheço propriamente o João Galamba. Vi-o três vezes: na primeira veio simpaticamente cumprimentar-me, na conferência de blogues de José Sócrates; na segunda fui eu cumprimentá-lo, na de Louçã; na terceira tivemos um debate, quase, de campanha eleitoral. Serve isto para dizer que não tenho propriamente relações com o João que me levem a defendê-lo ou atacá-lo. Mas, como dizia um tipo que já morreu, e mal, o Sttau Monteiro, cito de memória, quando os justos estão presos, só os injustos podem andar nas ruas. Não sei se o Galamba é justo, e é óbvio que não está preso, mas a frase é linda e gosto de a usar. Indo ao ponto, o que interessa aqui é que não é crime fazer um trabalho por ajuste directo. Ao que parece, o João Galamba tinha qualificações para fazer o trabalho, mas mesmo que não tivesse, o responsável por um mau ajuste directo não é o contratado, mas sim quem contrata. Se os meus caros acham que o João Galamba não devia ter recebido aqueles contratos, então quem têm de atacar é quem faz a selecção e não o João. Mesmo, e isto é apenas uma hipótese académica, digamos assim, que soa melhor, o João Galamba tivesse recebido o contrato por ‘serviços prestados’ ao partido do governo, quem teria agido mal teria sido o responsável do governo que teria decidido pagar os serviços com o dinheiro de outros. Repito, isto é uma hipótese académica, nada mais, e só serve para ilustrar o argumento. Resumindo, a história dos ajustes directos do João Galamba não tem pés nem cabeça. Podemos contestar o método, mas não faz sentido fulanizar com o objectivo de resolver ódios pessoais.

Já sobre a questão das informações passadas do governo para o João Galamba e para os outros membros do Simplex, desculpem lá, mas não estamos tão bem. Eu não tenho problema nenhum em acreditar que nos outros partidos seja igual, aliás, seria hipócrita se dissesse que não acontece (posso garantir que, pessoalmente, não recebi documentos de assessores do PSD no tempo do Jamais). Mas a verdade é que apenas por uma prática ser generalizada, não se segue que seja uma boa prática. O João diz que apenas contactou pessoas que conhecia. Não. O João (e o Simplex) recebeu documentos realizados por membros do governo com objectivos propagandísticos. Não eram documentos oficiais, documentos de prestação de contas, nada disso: eram argumentários e respostas a perguntas frequentes. Por mais que me digam que é normal, não me convencem. Há por aí alguns que dizem que os membros do governo estavam simplesmente a fazer política. Não, meus caros. Há política e há luta partidária. Política fazem os membros do governo quando cumprem as competências que são as suas. Luta partidária é o resto e estas duas não se podem misturar. Estamos habituados? Estamos. Mas isso não é motivo para que todos digamos que é normal. E menos normal ainda é ter assessores do governo que, anonimamente, escrevem aquilo que, dando o nome, não poderiam escrever. Chegamos ao cúmulo quando esses assessores, devido ao trabalho que fizeram nesses blogues anónimos, são recompensados com cargos políticos de maior relevo. De parte a parte podem dizer o que quiserem, mas nada disto deveria ser normal. E se é, alguma coisa não está bem.
Para alguém a quem não tinha sido perguntado nada, já escrevi bastante, mas sou conhecido por dizer tudo o que me apetece e agora apeteceu-me dizer isto.


# Tiago Moreira Ramalho às 12:35 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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