Terça-feira, 2 de Março de 2010
De um ponto de vista estritamente subjectivo, como todos são, apesar de alguns, mentirosos, dizerem que não, escrever é o melhor remédio. O leitor diz assim, que não é pessoa de se deixar ir em cantigas, «ó tu, pá, que escreves, se eu apanhar uma constipação curo-a a escrever?». Este é o momento em que eu, de uma forma educada e muito senhoril, com meu ar tão nobre e tão de sala, encaminho o leitor, um claro exemplo de desperdício de carbono, à rua e lhe peço que não volte. Amigos como dantes, mas longe, que a gente não gosta de se dar com bocados de massa que poderiam estar a dar forma a, sei lá, um porco ou assim.
Continuando, que já percebi que as metáforas são mal recebidas por estas bandas, mais por culpa minha, que sou mais dado a metonímias, tal como o meu infeliz teclado, e a figuras de estilo próximas e que me escuso a elencar por saber o leitor versado em matérias destas, posso dizer que desgraço a vista, de dia para dia, gastando-a com livros que, de um modo geral, e devido às minhas dificuldades cognitivas, me ensinarão, digamos, poucochinho. Gosto muito daquelas pessoas que repetem muitas vezes a palavra «digamos». Gosto mais dessas do que das que repetem «p’tanto» e «prontes». Têm um ar mais digno e se a pessoa diz «digamos» é porque, independentemente da condição, gosta de ter um discurso cuidado, procurando sempre a palavra melhor para, digamos, dizer. Ora, em primeiro lugar, que é como diz em primeiramente, termo tolo, por ser único (não existe em terceiramente, por exemplo), posso desde já afiançar que o Sebastião deu cabo da Juliana. Foi lá, pediu-lhe as cartas (ia com o Mendes) e ela, toda esgrouviada, caiu redonda a espumar. O Julião, todo despachado, lá veio cruzar-lhe os braços e, enfim, a Luísa, ai a Luísa, começou a respirar melhormente (esta palavra existe, o que é curioso, porque melhor já é só por si um advérbio de modo). Por outro lado, a verdade é que a definição de um mercado é algo complexa. Regra geral, utilizam-se critérios como o geográfico (nomeadamente os fluxos inter-regionais de um determinado produto), o critério da elasticidade preço-cruzado e a correlação de preços. O problema essencial é que não existem valores a partir dos quais possamos dizer: meus senhores, está aqui um mercado. Posso, por exemplo, deixar aqui uma pergunta interessante ao leitor, mas não me apetece. Enfim, uma tese interessante é a de que os processos de transição para democracias liberais são mais eficazes quando começam por uma liberalização da economia e uma solidificação das instituições e terminam na criação de eleições livres. A alternativa, isto é, começar por permitir eleições livres e esperar que o voto traga o resto, regra geral, dá buraco. Curiosamente, a Europa que se seguiu à Segunda Guerra Mundial foi uma Europa que, devido às deslocações forçadas de milhões de pessoas para os seus países de origem, tinha maior «pureza racial» em cada região do que a Europa que precedeu a dita guerra. Curiosamente (gosto muito de advérbios de modo) porque (conjunções subordinativas causais também mexem comigo) foi a seguir à Segunda Guerra Mundial que os Estados europeus se dispuseram mais, sem comparação histórica, a mandar a soberania dar uma curva e a misturar-se uns com os outros em organizações políticas e económicas mais e mais relevantes. Foi como que um reset (ai, o inglês!...) num continente com milhares de anos de conflitos bastante desagradáveis (coitadinhos dos homens de Neandertal, que tinham cérebros maiores que o homo erradamente chamado sapiens sapiens). Bom, de qualquer modo, o que é importante é que a justiça é melhor que a injustiça, isso já provámos nós e levou-nos um livro inteiro a fazê-lo. Vamos agora perceber, quem sabe, o que é realmente a justiça se não for algo como a prevalência da vontade do mais forte. É curioso que um tipo tenha andado livros inteiros a discutir a justiça para depois se ver obrigado a beber cicuta sem qualquer alternativa. Continuando (ai, o gerúndio!... a gramática, senhores!) o importante é que um país se deve especializar sempre, mas sempre, nas actividades em que tem maior vantagem, mesmo que tenha alguma vantagem em todas. Pois a verdade é que é, por demonstrações que agora me escuso a dar a conhecer, matematicamente impossível um país, uma empresa ou mesmo uma pessoa ter vantagens comparativas em mais do que uma actividade. O problema é descobrir em qual é que as tem. E para os pessimistas, aqui vai uma novidade: toda a gente tem vantagem comparativa sobre alguém em qualquer coisa (wink, wink).
Bom, virando a página, o relevante é que a combinação linear de duas variáveis aleatórias que seguem distribuições normais é, também, uma variável aleatória que segue uma distribuição normal. Bem sei que por vezes isto parece esquisito, mas, meus senhores, houve pessoas com vantagens comparativas muito óbvias na actividade de desperdiçar a vida que andaram a estudar isto, por isso, não discutam, que me molestam.  
Enfim, foi bom este bocadinho, este blogue serve mesmo para isto, porque a política aborrece e aquilo a que alguns chamam, coitadinhos, de política não é bem política. Mas isso é um assunto para se discutir num outro post, igualmente longo e absurdo (ai!... o absurdo!) que eu nunca escreverei.


# Tiago Moreira Ramalho às 20:44 | | comentar

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Tiago Moreira Ramalho

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