Quinta-feira, 11 de Março de 2010
Perdão. O título é despropositado. Começar logo a ofender toda a gente é coisa pouco aconselhável para quem quer manter um tom elevado, sério e pouco conflituoso. Eu sou uma dessas pessoas, pelo que me retracto, palavra que, e isto é dedicado aos nossos amorosos jornalistas que, devido a factos da vida, foram parar a redacções de jornais saberá o Divino, com as suas linhas tortas, porquê; palavra que, dizia eu, leva um «c» antes do «t». E podem vir lá com os Acordos Ortográficos que quiserem, que eu também gosto muito de fazer os outros burros. Glup. Já me acalmei. Enervei-me um pedacinho com a matéria linguística em causa. Voltando àquilo que me fez publicar este post, o que eu quero realmente dizer é que as pessoas são absurdamente intolerantes relativamente à felicidade alheia. Houve uma senhora a ganhar um Óscar para melhor realizador. Nunca vi nenhum filme da senhora (sou pouco dado a essas merdas), pelo que não sei avaliar a justeza. Claro que alguns, mais que a justeza, apreciaram o facto de a senhora não possuir, por definição, um pénis no entre-pernas. São opções. Uns desprezam o prémio, outros acham que sim senhor, que o filme era bom, outros estarrecem-se com a vagina de Kathryn Bigelow. Isto, por mais irracional que possa ser, não tem problema nenhum. Do mesmo modo que eu ficaria maravilhado caso o meu país decidisse, de uma vez por todas, que não é função do Parlamento decidir sobre o financiamento que o país tem de dar aos partidos que compõem o Parlamento, admito que haja outros que vejam nestes pequenos actos grandes mudanças. E do mesmo modo que não aprecio especialmente quando outros menosprezam estas minhas ambições ou posteriores alegrias, também concebo que os senhores que se estarrecem com a vagina de Bigelow não apreciem que eu diga que eles são idiotas à conta de tal estarrecimento (estou a tentar esticar esta palavra ao máximo, a ver quando é que o Word a risca por baixo). Não sei o que motiva as contendas estúpidas que por aí se vêem. Se a falta de actividade sucedânea, se a falta de tempo para pensar duas vezes no disparate. De qualquer modo, seríamos todos muito mais felizes se não tivéssemos gente a atazanar-nos o juízo de cada vez que sorrimos por qualquer motivo. Lá fora chamam-lhe tolerância e, inclusivamente, já lhe dedicaram tratados, ensaios e coisas dessas. Por cá, ainda só fomos capazes de assimilar o termo, o que, já de si, nesta terra, não é despiciendo. Só nos falta mais um bocadinho. Assim, ó.


# Tiago Moreira Ramalho às 22:03 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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