Terça-feira, 23 de Março de 2010

Eu tenho para mim que, a bem da igualdade, deveríamos, à Marquês, pegar em todo e qualquer indivíduo que ousasse auferir mais que, let's say, oitocentos euros (montante que julgo estar acima do salário médio), botá-los num barquinho com buraquinhos pequeninos e, boa sorte, enviá-los para o mar. Infelizmente, parece que há para aí uns tribunais internacionais, lá para os lados de não sei onde, que eram capazes de ficar arreliados com tal solução final - gente sem visão que não entende a beleza do chacínio de burgueses e aristocratas. Como tal, podemos sempre tratá-los, enquanto soltamos uma sonora gargalhada sinistra, como podemos. Agora decidimos alterar, génios, as regras das deduções fiscais e impedir os magnatas de recuperar imposto que à partida não deveriam pagar.
O João Galamba defende a coisa. Até argumenta e tudo. Claro que eu, especialista, que sou, que sou, em argumentos e assim, topei logo a falha. Diz o João Galamba que ouviu do Ministro, e se o Ministro disse, a gente acredita, ouviu do Ministro, dizia eu, que quem mais aproveita as deduções fiscais são urricos. Bandidagem. Contratam contabilistas de óculo grosso e fato esquisito para dar a volta às Finanças. Nem nos passa pela cabeça que urricos não utilizam serviços públicos de Educação e Saúde e que, logicamente, não devem ser obrigados a pagar tanto como se utilizassem (a malta gosta muito de ajudar, mas, senhores, eu suponho que seja desagradável pagar escola e saúde privados e ainda os públicos). Esquecemo-nos, resumidamente, da causa das elevadas deduções e como pessoas do nosso tempo que somos, apenas discutimos o numerozinho. O João Galamba fala em Justiça Social. Eu falo em injustiça sem sufixo de qualquer espécie. Porque é que um indivíduo que paga um colégio para os filhos à procura de um ensino melhor e paga uma clínica à espera de um tratamento mais rápido e, ouso, melhor para a sua família tem de ser obrigado a pagar um serviço a que não recorre? É justo? O João Galamba acha que sim. Podemos sempre inventar uma teoria da justiça. Assim à filósofo e coiso.



# Tiago Moreira Ramalho às 21:53 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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