Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Que me perdoe Hume, um senhor que seguramente não ouvia os médicos, a usurpação e posterior deturpação do seu título para este texto. O facto é que nunca fui bom com títulos e prefiro roubar um a um morto, que, no máximo, me assombra, do que roubar um a um vivo, que no mínimo me desanca.

Findo o intróito, manual de auto-complacência, há que inserir a grande revelação que este amontoado de palavras tem como propósito trazer: não é humanamente possível compreender a humanidade. Muitos, demasiados, como sempre, dizem-se capacitados para entender cada traço de cada besta humana que o acaso lhes bote junto à venta. Tecem longos considerandos sobre a personalidade, as razões da personalidade e mais uns feijões. E há quem os oiça. Ora sucede que raras são as razões da humanidade que a própria razão conhece, além de que qualquer pueril análise do outro é sempre minada por um verdadeiro Génio Maligno, que é a incapacidade generalizada das gentes em compreender que não somos todos iguais. Posto por outros termos, todos concebemos, invariavelmente, os outros à nossa imagem nas raízes do Eu. Este vício a montante implica que as derivas invasivas de compreensão alheia acabem num pote em cacos a jusante. A situação chega ao estado de calamidade quando, baseados nas nossas análises que julgamos perfeitas, tentamos mudar o outro, ou, como nós dizemos, ajudá-lo a tornar-se melhor. Como se algum de nós, manuais de desperdício de matéria, fosse exemplo para quem quer que seja.



# Tiago Moreira Ramalho às 17:22 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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