Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Claro que tal nos leva a um ponto interessante. O desenho permite-nos fugir da confusão, a escrita obriga-nos a resolvê-la. Se queremos retratar a nossa confusão com carvão ou tinta, basta uns círculos, umas elipses, umas linhas quebradas et voilà, temos uma masterpiece do nosso Eu. Se queremos, por outro lado, conforto junto das letras, temos de pensá-la, dissecá-la até a conseguirmos por em palavras. Porque as palavras, ao contrário dos riscos, impõem a razão. É por isso que a escrita é a arte maior.



# Tiago Moreira Ramalho às 17:18 | | comentar

3 :
De menina limão a 3 de Janeiro de 2011 às 00:29
E o que te faz pensar que bastam «uns círculos, umas elipses, umas linhas quebradas», ou seja, quaisquer formas imediatas e/ou aleatórias para nos sentirmos devidamente representados pelo desenho e expressados pelo traço? E porque é que partes do princípio de que a abstracção do desenho é o suficiente para qualquer pessoa expressar a sua confusão plenamente, ou seja, quem te diz que aquele que desenha, se quiser expressar uma ideia, não passa pelas mesmas dificuldades daquele que se expressa pela escrita, se quiser ser igualmente claro e inteligível? Excluis a hipótese de o desenho impor a razão, o que não é verdade. O desenho permite-nos fugir da confusão, tudo bem, pode ser, mas, dependendo do que dele queremos e de como o usamos, também nos pode obrigar a resolvê-la. Nesse caso, por essa versatilidade, talvez devesse ser o desenho a tal arte maior. Mas eu não acho que tenha que haver uma arte maior. E, de qualquer forma, temos o cinema -- provavelmente a forma de arte mais completa (o que daria toda uma outra discussão).


De Tiago Moreira Ramalho a 3 de Janeiro de 2011 às 08:45
Não contrapuseste o que disse. O que eu digo é que o desenho nos permite, simplesmente, expressar um grito mudo. Comigo funciona. Pego num papel, destruo-o com a força da ponta da caneta et voilà, como novo. Enquanto isto acontece com o desenho, como reconheces, e me permite uma simples fuga, caso eu não queira pensar na coisa, a escrita obriga à reflexão para que possa ser usada. Não permite fuga. É esse o ponto. Claro que se quiseres expressar uma ideia com desenho, podes. E claro que nesse caso a razão é uma imposição natural. Nunca neguei isso.

Quanto ao cinema, sim, tendo a pensar que é a forma de arte mais completa. No entanto, não posso andar por aí a fazer filmes às três pancadas e, além disso, tudo o que aqui escrevo é essencialmente incoerente.


De menina limão e assim a 4 de Janeiro de 2011 às 02:41
O importante (*drama button*) é que não estivesses com isto a excluir as outras possibilidades do desenho. Não estavas, ora bolas, que bem, que maravilha, estás tão grande, dá cá dois beijinhos.

A coerência é sobrevalorizada.


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Tiago Moreira Ramalho

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