Sábado, 9 de Abril de 2011

Já não sei escrever sobre o que quero escrever. Não consigo. Começo e depois sinto que a masturbação é inútil. Não ajuda, nunca ajudou, a nada. Prefiro mil vezes o banal, a divagação que me faz correr, fugindo de tudo. Prefiro o agrafador vermelho com um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, estou farto, catorze, quinze, dezasseis, dezassete, roço o doentio, dezoito, dezanove, vinte, muitos, desisto; prefiro o lápis que não uso, não gosto de lápis, só de lapiseira, não sei porquê; prefiro o bloco de notas que arrasto sempre, porque posso sempre ter uma recaída, precisar de tomar qualquer coisa, remédios são as coisas que nos curam; prefiro o livro que não acabei porque desisti de o acabar porque desisto quase sempre de tudo menos do que é banal só não desisto do trivial mas do que quero mesmo desisto sempre porque não sei sou assim e não meti aqui uma única virgula porque não fiz uma única pausa porque é tudo torrencial e não penso se o que penso faz sentido ou se é apenas enfim mais banalidade oca. Ou então simplesmente não sei o que prefiro. É uma reflexão a que nos deveríamos prestar sempre. Que preferência é a sua, Baltazar, perdão, Tiago. Sim, lembro-me sempre do maneta e da mulher que via por dentro das almas. Gostava de ver as almas e a carne e os ossos e as moedas de baixo do chão. Não gostava de ser maneta. Mas se tivesse de dar uma mão pelo amor de uma Blimunda, talvez a desse. Era pensar bem no assunto. Quando ele morreu chorei, como agora, e chorei mais quando ela lhe chamou a alma, porque a ela pertencia. As almas pertencem todas a alguém. A minha pertence-me a mim, que nunca mais ninguém a reclamou, ou pelo menos nunca mais ninguém recorreu às vias judiciais próprias dos tribunais próprios para a reclamar. Um dia organizo-me, pacifico-me. Nem que seja no último de todos eles.



# Tiago Moreira Ramalho às 11:25 | | comentar

1 :
De Celisol a 9 de Maio de 2011 às 18:28
Só reparei que não tinha posto vírgulas na frase quando o referiu, pensei que estivesse apenas apressado para que as palavras não se fossem :)

Gostei do que li, mas atenção que não li tudo!


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Tiago Moreira Ramalho

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