Sábado, 14 de Maio de 2011

A verdade é que vou fugir nos próximos tempos. Muitos, longos meses fora de tudo, longe do mundo a que me habituaram, sem as caras, os braços, as pernas, os troncos, os pés, as mãos, os cabelos, os olhos, as bocas, os narizes, as orelhas do costume. E, apesar de bom, porque ainda vivo na ilusão de que a infelicidade se deve à específica contingência e não ao estrutural desajuste, não é suficiente. Ainda preciso das fugas no meio das multidões. Aquelas em que não fugimos para fora, mas para dentro. Aquelas em que divago sobre o saco da feira do livro, que já não tem livro lá dentro, porque o tirei para o ler, apesar de o não ter lido ainda. As outras em que reparo nas cores dos lençóis riscados, feios, na verdade. E depois recebo um telefonema. E depois do telefonema, perco toda a capacidade criativa, porque as máquinas são feitas disso, de interrupção voluntária - elas têm vontade - da humanidade que resta. Portanto, acaba aqui a fuga, regressa-se aqui ao irreal. 



# Tiago Moreira Ramalho às 13:07 | | comentar

autoria
Tiago Moreira Ramalho

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