Domingo, 21 de Fevereiro de 2010










Foi ontem a manifestação contra o casamento homossexual. Diziam os promotores que era uma manifestação contra o casamento homossexual, coisa que não me chocaria, pois há bons argumentos contra o casamento homossexual. Mas a verdade é que as imagens que José Pacheco Pereira publica no seu
blogue mostram que a manifestação não era só contra o casamento homossexual. Em grande medida, os que ali estavam manifestavam-se contra uma «perversão» a que a «liberdade», a deles, não dá direito. Manifestavam-se contra a homossexualidade. E uma manifestação assim, meus caros, não tem nome. Perdão, mas não consigo mesmo encontrar algo para designar o sentimento de repulsa que me provoca esta estirpe da espécie humana – sim, porque não somos todos iguais e eu não trato de modo igual aquilo que é diferente e assim. As imagens que aqui reproduzo, retiradas do blogue de José Pacheco Pereira, mostram as extraordinárias famílias que a Pátria tem: mostram crianças, várias crianças, que foram levadas para a manifestação e às quais se vestiram camisolinhas de protesto e se deram cartazinhos de ódio. Pais e mães indignos de tal designação vão para as ruas gritar que eles é que estão bem, eles é que estão certos e que a «sociedade» não pode aceitar os outros, os impuros, que os queime o enxofre.
Para além das crianças, no sentido literal do termo, também lá estava D. Duarte Pio de Bragança, um homem que diz que quer ser Rei e também lá estavam grupos de extrema-direita, ao lado dos bons pais e ao lado do bom pretenso Rei. Foi, portanto, um lindo get-together, digno de um Portugal que eu gostava que não existisse e que cada vez mais me dá vontade de ver pelas costas.
# Tiago Moreira Ramalho às 11:45 |
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010
# Tiago Moreira Ramalho às 21:56 |
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Ninguém me perguntou nada e, sinceramente, obriguei-me a manter a boca fechada sobre este assunto porque, em primeiro lugar, o João Galamba não precisa de advogados (ou, pelo menos, não de um não-advogado como eu) e, em segundo lugar, porque adivinhava já um e-mail ou outro a acusar-me de coisas que nem vale a pena dizer. Primeiro ponto: não conheço propriamente o João Galamba. Vi-o três vezes: na primeira veio simpaticamente cumprimentar-me, na conferência de blogues de José Sócrates; na segunda fui eu cumprimentá-lo, na de Louçã; na terceira tivemos um debate, quase, de campanha eleitoral. Serve isto para dizer que não tenho propriamente relações com o João que me levem a defendê-lo ou atacá-lo. Mas, como dizia um tipo que já morreu, e mal, o Sttau Monteiro, cito de memória, quando os justos estão presos, só os injustos podem andar nas ruas. Não sei se o Galamba é justo, e é óbvio que não está preso, mas a frase é linda e gosto de a usar. Indo ao ponto, o que interessa aqui é que não é crime fazer um trabalho por ajuste directo. Ao que parece, o João Galamba tinha qualificações para fazer o trabalho, mas mesmo que não tivesse, o responsável por um mau ajuste directo não é o contratado, mas sim quem contrata. Se os meus caros acham que o João Galamba não devia ter recebido aqueles contratos, então quem têm de atacar é quem faz a selecção e não o João. Mesmo, e isto é apenas uma hipótese académica, digamos assim, que soa melhor, o João Galamba tivesse recebido o contrato por ‘serviços prestados’ ao partido do governo, quem teria agido mal teria sido o responsável do governo que teria decidido pagar os serviços com o dinheiro de outros. Repito, isto é uma hipótese académica, nada mais, e só serve para ilustrar o argumento. Resumindo, a história dos ajustes directos do João Galamba não tem pés nem cabeça. Podemos contestar o método, mas não faz sentido fulanizar com o objectivo de resolver ódios pessoais.
Já sobre a questão das informações passadas do governo para o João Galamba e para os outros membros do Simplex, desculpem lá, mas não estamos tão bem. Eu não tenho problema nenhum em acreditar que nos outros partidos seja igual, aliás, seria hipócrita se dissesse que não acontece (posso garantir que, pessoalmente, não recebi documentos de assessores do PSD no tempo do Jamais). Mas a verdade é que apenas por uma prática ser generalizada, não se segue que seja uma boa prática. O João diz que apenas contactou pessoas que conhecia. Não. O João (e o Simplex) recebeu documentos realizados por membros do governo com objectivos propagandísticos. Não eram documentos oficiais, documentos de prestação de contas, nada disso: eram argumentários e respostas a perguntas frequentes. Por mais que me digam que é normal, não me convencem. Há por aí alguns que dizem que os membros do governo estavam simplesmente a fazer política. Não, meus caros. Há política e há luta partidária. Política fazem os membros do governo quando cumprem as competências que são as suas. Luta partidária é o resto e estas duas não se podem misturar. Estamos habituados? Estamos. Mas isso não é motivo para que todos digamos que é normal. E menos normal ainda é ter assessores do governo que, anonimamente, escrevem aquilo que, dando o nome, não poderiam escrever. Chegamos ao cúmulo quando esses assessores, devido ao trabalho que fizeram nesses blogues anónimos, são recompensados com cargos políticos de maior relevo. De parte a parte podem dizer o que quiserem, mas nada disto deveria ser normal. E se é, alguma coisa não está bem.
Para alguém a quem não tinha sido perguntado nada, já escrevi bastante, mas sou conhecido por dizer tudo o que me apetece e agora apeteceu-me dizer isto.
# Tiago Moreira Ramalho às 12:35 |
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Para o Dr. Mário Soares a manifestação em frente à Assembleia da República foi um flop. Cinquenta pessoas, disse ele, num habitual exercício de alteração da realidade, ou da sua percepção, a favor do argumento. Ai!, o argumento… Entretanto estava marcada para hoje uma curiosa manifestação de apoio ao chefe. Espontânea, diziam. Quantos vão estar em Lisboa?
# Tiago Moreira Ramalho às 11:21 |
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010
Hoje acordei assim tarde. Eram umas sete e meia – muito tarde para os padrões habituais. Depois de acordar levantei-me, exercitei a metrossexualidade (dois dias seguidos, meninas, dois dias seguidos) e fui à vida. Fui e vim. Quando voltei, que já se fazia tarde, passei por uma feira do livro, daquelas rascas, muito rascas, das estações de metro e perdi-me. Recompensei-me de factos honoríficos para mim e para os meus comprando três livros muito parecidos de aspecto. Três colectâneas de crónicas do Independente, um jornal que existia quando eu ainda não existia, juventude. Rui Ramos, Millôr Fernandes e João Pereira Coutinho. Um gosto, um mimo, um regalo. Vinha a pensar que mais dia, menos dia, se os ossos se aguentarem e o resto também, hei-de estudar, mas a sério, aquilo três vezes ao dia. Copio tudo, tudo, tudo, que é assim que a gente se faz, ou pensam que há alguém que invente escrita? O tanas. Ninguém inventa escrita. No máximo fazemos boas misturas das línguas que ouvimos. É a beleza de coiso. Depois de tudo copiado, abro um blogue, onde me meto a escrever textos longos e bem amanhados. Nessa altura sou gajo para, inclusivamente, abrir comentários, que serão todos de bajulação e inveja, ó inveja alheia tão gostosa.
Por esta altura, já agora, posso adiantar-vos que este intimismo está a ficar muito pouco pontual, o que me fará, talvez, quem sabe, mudar aquela coisa que está por baixo do título do blogue, um lindo título, que faz agitar a língua, fá-la brincar dentro da bocarra, tipo lolita, mas melhor. Vejam só: plomb du cantal. Digam em francês: plomb du cantal. É impossível não dizer em francês: plomb du cantal. Quase se parece com os generosos feitos de Basílio de Brito à prima Luísa lá no paraíso, quando lhe ensinava sensações novas, corando-a de alegria. Pronto, já escrevi, já estou melhor. Beijinhos e até qualquer dia, que é como quem diz, até amanhã ou assim.
# Tiago Moreira Ramalho às 20:39 |
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Ontem o i publicou uma entrevista feita pela Ana Sá Lopes a Paulo Rangel. Numa das partes da entrevista, Paulo Rangel apresentou o que seria, na generalidade, a sua proposta para uma mudança no Ensino. Uma dessas, que chocou muito a Ana Sá Lopes e a levou a publicar uma notícia sobre o assunto hoje, foi a de permitir a existência de um tipo de ensino misto (entre o ensino regular e o ensino profissional, entenda-se) a partir do sétimo ano, para permitir que haja uma saída para os alunos que, por um qualquer motivo, não estão vocacionados para uma aprendizagem mais ampla, sem, no entanto, lhes cortar as asas para a possibilidade de seguir via universitária. Meus caros e, especialmente, Ana Sá Lopes, desculpem lá dar a notícia assim de chofre, mas isto é o que já existe. Já existem os cursos CEF, substitutos do ensino básico regular, que servem alunos não vocacionados para esse tipo de ensino e que pretendem outra via. Começa, salvo erro, no sétimo ano. Por outro lado, na minha faculdade, que, diga-se, é a faculdade de Economia com mais difíceis acessos, estão pessoas que vieram de cursos profissionais. Nada disto é novo, tudo isto já é de alguma forma feito, pelo que se me afiguram ridículas duas posturas: a de Paulo Rangel, que apresenta tudo isto como se fosse revolucionário, e, mais ainda, as de membros de organizações financiadas pelo Ministério da Educação (como o dr. Albino, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, o dr. Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação, ou o dr. Luís Presa, presidente da Associação Nacional do Ensino Profissional), que vieram para o jornal fazer um belíssimo frete olhando com desdém aquilo que se limita a ser a descrição de, no máximo, um aperfeiçoamento do sistema actual, um sistema para o qual todos contribuíram e com o qual todos concordaram.
# Tiago Moreira Ramalho às 09:53 |
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# Tiago Moreira Ramalho às 09:30 |
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010
«A ideia de discutir a ‘liberdade de expressão’ no Parlamento é uma pequena vingança que pode sair furada ou afogar-se no meio do ruído e da guerra governo-oposição. Os portugueses, infelizmente, não são muito sensíveis às questões de liberdade de imprensa nem de direitos cívicos; conformam-se.
Há demasiados jornais proibidos, perseguidos e odiados na nossa história. O poder aproveita essa tradição iliberal portuguesa e reduz o problema a inveja, maledicência e conspiração; a oposição, que tem telhados de vidro, nem sempre escolhe bem o terreno onde pisa. O debate devia ser cá fora.»
Francisco José Viegas, no Correio da Manhã.
# Tiago Moreira Ramalho às 19:55 |
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Regressava eu a casa, depois de um exercício de metrossexualidade, no caso, um simples corte de cabelo (não se deixe enganar a leitora de blogues que procura um homem decente, que eu também sou menino para banhos regulares e para cortar as unhas); dizia eu que, no regresso a casa, quando, na paragem do autocarro, esperava o dito, vi dois cães, ambos machos (eu confirmei), a andar um à volta do outro. Num ápice, e antes que eu tivesse tempo para voltar a ver se eram mesmo dois machos, um salta para cima do outro e, o leitor prepare-se para um termo brejeiro, enraba-o à bruta. Mas à bruta. Dois cães, ali, pumba, pumba, pumba, no meio da rua. Depois, uma poça de água no chão, deitada pelo nariz da mocinha de mochila às costas, que não conteve a gargalhada sonora e suja, ranho, quando o canito violado desatou a rosnar, enraivecido, depois de o violador, aquele Casanova, o ter largado sem haver propriamente êxtase sexual por parte de qualquer um deles. Eu, claro, atirei uma gargalhada para a direita, que me agradeceu o gesto, e entrei no autocarro a pensar naquela malta doidinha que diz que a homossexualidade é uma moda dos humanos do século XXI e coisas assim. Parvos.
# Tiago Moreira Ramalho às 18:58 |
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O problema essencial nesta questão dos Abrantes e do Simplex é que todos os partidos (excluindo, talvez, o Bloco de Esquerda) têm tectos de vidro. Todos. Porque todos se aproveitam de meios do Estado, quando podem, para se promoverem enquanto instituições e para promover membros específicos. O resto, meus caros, é conversa e resume-se com a falta de choque com que são recebidas teses como a de que é perfeitamente normal assessores, secretários de estado e ministros utilizarem o seu tempo de trabalho e os meios que o Estado lhes dispõe para fornecerem pessoas com, pelos vistos, fracas capacidades de argumentação (argumentários?! Pelo amor do Altíssimo!...) a fim de as ver pular, aparecer, existir. Triste lama, esta.
# Tiago Moreira Ramalho às 17:28 |
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É impressionante a quantidade de teorias gerais do amor que por aí circulam. Pequenos aforismos, poemas longos ou nem tanto, romances, verdadeiras teses. A busca por uma teoria geral para o amor tornou farelo muito miolo. E para quê? O resultado foi até hoje nulo. Tudo porque os teorizadores não entendem que o amor, tal como outros sentimentos fortes, menos fortes, não é para todos o mesmo. O único amor sobre o qual sabemos teorizar, e raramente bem, é sobre o nosso. Tentar mais é perda de tempo, quando não estupidez.
# Tiago Moreira Ramalho às 17:10 |
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010
Minha alma se espantou, ontem, com o Carnaval da terra. O nome da terra interessa pouco, para não dizer nada. Basta dizer que é uma "terra", com tudo o que isso significa: isolamento, gado, tanto, e atraso bastante. Era ver os farfalhudos buços das senhoras bamboleando-se, imitando-as, ao som dos tambores da banda, contagiadas pela coreografia de um tamborista, tamboritante, tamborente, senhor do tambor particularmente mexido. Os farfalhudos bigodes dos senhores também não estavam propriamente quietos, mas, verdade se diga, de todas as zonas farfalhudas que o homem, deveria ter posto um agá grande, tem não foi a que inicia no nariz e finda no beiço superior a que mais activa esteve - agradeça-se às meninas de traje pouco académico, apesar do frio, que rachava estes ossinhos que, deus queira, terra nenhuma há-de comer. E as crianças? Senhores!... as crianças. Todos com as suas fatiotas e faces rosadinhas, pobrezinhos, tilintando o dente risonho. Era uma festa, tudo, sendo que os protagonistas eram, sobretudo, os carros. Que carros. Pegou o jaquim, assim, com minúscula, por não ser especialmente alguém, como jacques, no tractor da quinta, cheio de lama, lavou-o e meteu umas chapas, uns pladures, umas coisas, e lá se fez um carro alegórico. E a criatividade? Coisas nunca vistas: gozavam com os gays, que cá, lá, aliás, são paneleiros e, mais, não são homens nem são nada, são ratinhos. Lá saberão. Igual para as lésbicas que, pelo menos, não são fufas, mas que, ainda assim, não são mulheres nem são nada, pobres, são ratinhas. Li eu, através dos fundos de garrafa que me venderam enganado, os cartazes, verdadeira propaganda, nas mãos de meninas e meninos, com tais ditados. Depois também os havia com políticos. Regra geral aparecia um trocas-te a casar com um tortas, ou lá como lhes chamam na televisão que é nossa, de todos, dizem. De quando em vez lá aparecia, a um canto, uma senhora de ar azedo e dos outros dois nem notícia, tal é o desprezo e, quem sabe, a insignificância. Pensando bem, grande obsessão tem esta, aquela, aliás, terra pelas questões da identidade sexual, perdão, da paneleirice, assim é que é. Infelizes os que riem, mas que por dentro morrem, com medo da ratice alheia. Infelizes, não levem a mal, é Carnaval.
A despropósito, passei no código. Sou o rei das regras de trânsito. Mecânica é que não é bem comigo.
# Tiago Moreira Ramalho às 21:31 |
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# Tiago Moreira Ramalho às 20:29 |
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Andávamos para aí há uns meses atrás meio endoidecidos pelas campanhas eleitorais e aconteceu, lá para os lados de Alcântara, numa cantina, dizem, que um senhor, um tal de Hugo Mendes, enquanto eu fazia uma pergunta ao Primeiro-Ministro, também Secretário-Geral do PS e, às vezes, quando dá jeito, cidadão José Sócrates, levantou o rabiosque, juntamente com o cabelo mal amanhado e os óculos sinistros, e chegou-se à beira do homem, não sem antes pedir a autorização a Paulo Querido, que moderava, para lhe segredar uma respostinha ao ouvido. Todos nos chocámos um pedaço, principalmente quando o indivíduo teve a cara de pau de, a seguir, me acusar de falta de ética por ter feito uma pergunta sobre números que o Primeiro-Ministro não conhecia – um sacrilégio, que todos nós temos o dever moral de perguntar ao questionado que assuntos podemos questionar.
Agora, ao que parece, o tal do Hugo Mendes, entretanto promovido a assessor do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro – como as vidas se fazem, minha gente, e eu a estoirar os miolos nos bancos duros do campus de Campolide – gere ali o albergue dos
Abrantes. Diz ele que o tal Miguel existe mesmo, pelo que não temos de duvidar que Eduardo Pitta já esteve à mesa com ele (já agora, também asseguro que o Hugo Mendes existe, que ainda sonhei umas quantas vezes com o óculo de massa preta e com a carapinha). Existe o Abrantes, himself, e os outros Abrantes, que assinam Abrantes, mas não são bem Abrantes. Sobre o Magalhães ninguém disse nada, mas suponho que a lógica seja a mesma.
Pelo meio, parece que tivemos um conjunto imenso de funcionários públicos a utilizarem meios públicos para a campanha eleitoral: sistema informático do governo, horário normal de trabalho, supõe-se, que eles não iam ficar lá por amor à camisola. Já para não falar da forma como os cargos públicos foram utilizados como remuneração acessória, dado que a base já havia nos cargos anteriores. Enfim, o admirável mundo socrático em movimento, com a necessária cobertura dos habituais, para os quais é banal tudo isto, tal como é banal tudo o resto.
Acrescente-se, por fim, que a notícia é de péssima qualidade. Não se transcrevem e-mails. A pessoa que se prestou a ser fonte da notícia pode ser citada, já as evidências ficariam, se necessário, para os tribunais. Além disso, explora pouco a questão, bem ao estilo de jornal de oitenta cêntimos (o que vinte cêntimos não fazem, meus caros, o que vinte cêntimos não fazem).
# Tiago Moreira Ramalho às 17:19 |
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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010
O Paulo Marcelo está enganado. É que a verdade é que muitas lésbicas tiveram (e têm) filhos, dado que, e penso não necessitar ir mais longe na descrição, a sua função no acto sexual é, as mais das vezes, tirando algumas senhoras mais fogosas, um pedaço passiva.
O que o Paulo deveria contestar naquele cartaz tão catita, que catita, muito anos noventa, eram duas coisas fundamentais: o facto de ser direccionado a crianças pequenas, o que me parece um pedaço infeliz, ainda para mais quando há tantos adultos a necessitar de explicações sobre a matéria, e o facto de ali no canto inferior direito estar o «apoio» da Câmara Municipal de Lisboa, que o alcaide Costa deve confundir com a concelhia do Partido Socialista. Não é bem a mesma coisa. Os partidos podem gastar o dinheiro que quiserem em cartazes mais ou menos bem feitos, já as estruturas de poder (local, regional ou nacional) não convém muito, não vá a gente começar a desconfiar que quem ocupa os cargos se serve dos dinheiros públicos indevidamente. E isso seria uma chatice tremenda.
# Tiago Moreira Ramalho às 12:21 |
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«Os socialistas que assinam petições e convocam manifestações de apoio não sabem bem a quê, fariam melhor se exigissem ao seu líder e ao seu partido, explicações sobre as actividades dos seus camaradas Vara, Penedos e Rui Pedro Soares, se se interrogassem sobre se o país que querem é o da RTP1, da televisão controlada pelo Estado, do Estado ao serviço do partido do poder, das notícias subordinadas “ao combate à crise e ao esforço do governo para a combater”.»
Luís Januário, n' A Natureza do Mal
# Tiago Moreira Ramalho às 10:26 |
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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010
Ler esta crónica de Pedro Marques Lopes deu-me, essencialmente, pena. Pena que o Pedro Marques Lopes, antes de julgar o movimento, grupo, o que lhe quiserem chamar, não tivesse tentado percebê-lo - ainda por cima quando conhecia boa parte dos membros. Para o Pedro Marques Lopes as «dezenas de cidadãos», nas quais me incluo, que estiveram quinta-feira à tarde à porta da AR não passam de uns histéricos sem grande coisa com que ocupar o tempo.
Não há problemas na liberdade de expressão e na liberdade de imprensa, diz-nos Pedro Marques Lopes. Bom, o Pedro Marques Lopes, neste ponto, deveria mesmo ter falado com os organizadores da manifestação de quinta-feira passada. É que eles rapidamente lhe diriam que muitas pessoas não assinaram a petição ou não estiveram na manifestação pelo simples facto de dependerem do Estado e não convir levantar muitas ondas. Se o Pedro Marques Lopes acha que a liberdade de expressão está de boa saúde e se recomenda, tudo bem. O Pedro Marques Lopes deveria também ler, caso já tenha lido, com mais atenção os pormenores do esquema: ter, através de meios do Estado, a Cofina, a Ongoing, a Media Capital, a Impresa e a Controlinveste nas mãos de pessoas ligadas a Sócrates e ao Partido Socialista não é algo banal: tratar-se-ia de ter toda a imprensa relevante em Portugal nas mãos de um grupo de pessoas muito, muito reduzido. Todos os Jornais relevantes à excepção do Público estariam nas mãos destes senhores, todas as news magazines à excepção da quase irrelevante Focus estariam nas mãos destes senhores, todos os telejornais televisivos estariam nas mãos destes senhores. E pode o Pedro dizer-nos que as redacções são independentes dos grupos. O tanas. Basta ler o que o «amigo Joaquim» diz, precisamente, ao director do seu jornal e ao director do Jornal de Notícias quando começam a sair notícias "fora do comum": coisas como "disse-lhe [a João Marcelino] para ter cuidado com essa brincadeira" ou "tenham [no Jornal de Notícias] cuidado com as perguntas que andam a fazer".
Não, Pedro, não temos uma repartiçãozinha onde senhores de bigode e óculo de massa riscam, com lápis azul, os textos dos jornalistas e comentadores. Mas isso não significa que tenhamos a liberdade que nos é devida. Isso não significa que não haja outros métodos. Felizmente, espero eu, as suas crónicas ainda não são revistas, do mesmo modo que nós, o tal grupo de algumas dezenas de pessoas, ainda podemos fazer o que fizemos. Provavelmente com este esquema, continuaríamos a poder fazer tudo isto, mas nas redacções de jornais como o seu e outros passaria a haver "cuidado" com "brincadeiras". Agora digo-lhe eu, Pedro, cuidado com as brincadeiras. Podemos todos ter reservas (acho que não há ninguém que não tenha) quanto à forma como isto explodiu, mas, depois da explosão, dizer que está tudo bem só porque não houve mortos é uma "brincadeira" com muito pouca graça.
# Tiago Moreira Ramalho às 12:48 |
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«Eu amo-te. E não me custa. É um acto de egoísmo. Mesmo que tu me odiasses mas te odiasses tanto a ti própria que não te importasses de ficar comigo, eu seria feliz e agradeceria a Deus a tua inconsciência; a tua generosidade; qualquer estupidez ou inteligência que te mantivesse perto de mim.
A sorte não é amar-te nem tu me amares. A sorte é ter-te ao pé de mim. Tu podes estar enganada. Deves estar enganada. Mas ninguém neste mundo, por pouco que me ame ou muito que te ame, está mais certa para mim.
Obrigado.»
Miguel Esteves Cardoso, Público
# Tiago Moreira Ramalho às 11:12 |
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010
O que está em causa neste momento, meus caros, é a oposição entre o Estado de Direito (Rule of Law) e o Estado Democrático. Ao contrário do que alguns fingem pensar, os dois, apesar de complementares, não são sinónimos, senão não teríamos de usar a expressão «Estado de Direito Democrático». Uma ditadura pode ser um Estado de Direito, pode ser um Estado em que vigora o primado da Lei e, infelizmente, é isso que alguns fingem querer.
O dilema aqui é claro: ou admitimos uma violação pontual do Estado de Direito, cujas leis têm sempre imperfeições, para poder impedir uma violação permanente do Estado Democrático ou então não. A escolha é de cada um. O resultado, sofreremos todos sem excepção.
# Tiago Moreira Ramalho às 23:32 |
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Quando Sócrates cair, quem quer que seja que o substitua tem de ter como prioridade o fim da golden share na PT bem como a saída do Estado das principais empresas portuguesas nas quais tem algum poder, quer directa quer indirectamente. Sim, porque o problema que hoje enfrentamos não se deve apenas à falta de escrúpulos de um grupo de pessoas. Essa falta de escrúpulos nunca teria tido tradução para isto caso não houvesse possibilidade para tal. Como diz o povo, a ocasião faz o ladrão. É preciso, então, que o Estado abdique da sua participação na PT, na Cofina, na Zon, e em todas as outras em que tem participações e posições minoritárias. Num prazo mais alargado, será essencial o desmantelamento e privatização da Caixa Geral de Depósitos, que foi o pivô de todo este processo. A Caixa Geral de Depósitos é, basicamente, a meretriz do regime, servindo cada um dos partidos para os esquemas mais abjectos. Estes são passos essenciais.
# Tiago Moreira Ramalho às 18:41 |
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